Diante da pífia participação do Brasil nas últimas olimpíadas, a presidente Dilma Rousseff resolveu intervir no tema Esportes e deve anunciar, nos próximos dias, um novo programa de apoio aos atletas sem a participação e a intermediação de federações ou associações esportivas. Nas últimas olimpíadas, diversos atletas que eram esperanças de medalha apontaram dirigentes das federações e confederações de negarem apoio a atletas que não se filiem aos grupos políticos que controlam e se eternizam nas federações e confederações.Nos Jogos Olímpicos de Londres, o time do Brasil tem 259 atletas, sendo que 111 recebem o Bolsa Atleta.
Esse número representa mais de 40% da delegação brasileira. O Bolsa Atleta é o maior programa de apoio individual e direto aos esportistas no mundo. Neste ano, o governo federal está investindo R$ 60 milhões no programa. Além dos investimentos diretos no Bolsa Atleta, o Governo ainda concede incentivos fiscais para as empresas que patrocinem atletas, inclusive estatais como Petrobrás, Correios, Eletrobrás, isto é, se dividirmos os valores investidos no patrocínio dos atletas olímpicos pelo número de medalhas conseguidas, veremos que a relação custo/benefício é inversamente proporcional ao esforço feito pelo Governo, salvo os paraolímpicos, que menos recebem em patrocínio, mas são muito superiores em desempenho nas pistas, nas piscinas e nas quadras. Em suas defesas, os cartolas insistem na teoria velhaca de que o investimento no esporte não pode visar títulos e medalhas, mas a preparação do atleta.
Felizmente, a presidente Dilma Rousseff já avisou, de Londres, que o foco ao Governo será a prática do esporte nas escolas, onde surgem os atletas. Em nenhum esporte, o clube ou federação investe na formação do atleta, preferindo “adotá-lo" depois de pronto. É justamente pelo foco errado no patrocínio do esporte que vemos uma atleta do modesto Piauí conquistar uma medalha de ouro inédita medalha de ouro de Sarah Menezes, que há 13 anos se dedica ao judô. E a medalha é inédita por dois motivos: é a primeira vez que o judô feminino participa de uma olimpíada e é a primeira medalha de outro do País nessa modalidade esportiva.
E o sonho de Darcy Ribeiro - uma escola pública de qualidade e em regime integral - poderá começar a virar realidade a partir de 2013 com a volta da prática esportiva nas escolas de todo o País, com o respeito do Governo aos professores de educação física, os primeiros a avaliarem e apoiaram os jovens atletas, sem a interferência dos cartolas e dos empresários, os únicos que levam vantagem financeira e política do esforço dos atletas e de suas famílias. Até as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, o Brasil ainda tem tempo de revelar atletas em número e em qualidade superior aos que estão se despedindo das quadras e das pistas nesta Olimpíada. Se Dilma conseguir se desvencilhar do cerco dos cartolas do COI e da CBF, as chances de medalhas de ouro em 2016 serão infinitamente maiores.


