No “Bom Dia Ministro" de sexta-feira (8), programa de entrevistas produzido pela EBC, agência de notícias do Governo, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, ao negar novo reajuste do preço da gasolina na bomba, como previu o presidente da Petrobrás, Sério Gabriele, acabou revelando de onde vem partindo a forte pressão sobre o governo para que reajuste o preço da gasolina nas bombas de todo o País.
Lembrando que a Petrobrás reduziu o preço do produto em 2009, Lobão afirmou que, além da exploração (lucro fácil) dos donos de postos de combustíveis, o preço da gasolina está sendo pressionado pelo alto preço do etanol, segundo o ministro, “tendo em vista a queda de produtividade da cana-de-açúcar e da priorização que os usineiros estão dando para a fabricação de açúcar", cujas cotações no mercado internacional foram empurradas para cima pela alta no consumo na China e pela queda na produção da Índia, grande produtora e consumidora de açúcar.
O que o ministro não revelou foram as queixas dos usineiros, que culpam o governo de manter artificialmente baixos os preços da gasolina, por razões meramente eleitorais (Governo Lula). Como o álcool deixa de ser interessante se seu preço na bomba ultrapassar a barreira dos 70% do preço da gasolina, o consumidor que tem carro flex partiu para o consumo do combustível mais barato e de melhor desempenho. Isso obrigou o governo a importar gasolina dos EE.UU (1,5 milhão de barris chegam até o dia 15), pois o consumo do produto explodiu e as obras das novas refinarias (Pernambuco e Itaboraí/RJ), por conta de impasses junto ao TCU na maioria dos contratos com as empreiteiras, estão muito atrasadas, ao mesmo tempo em que a Petrobrás chega ao limite da capacidade das nossas refinarias (cerca de 370 mil barris por dia). Se ocorrer qualquer problema em uma das refinarias, que interrompa a produção de gasolina, teremos problemas sem conta nas grandes cidades, pois haverá desabastecimento em alguns pontos do País.
Como a produção do álcool hidratado fica por conta e risco dos usineiros, quando o preço do açúcar sobe, como agora, eles deixam de produzir etanol. Sem estoques reguladores, o consumidor opta pela gasolina, cuja produção está no limite. A redução do percentual de etanol na gasolina e o aumento da quantidade de água na composição do próprio etanol foram medidas desesperadas do governo para enfrentar o desabastecimento do álcool.
Aproveitando-se da fraqueza do governo em matéria de combustíveis, os usineiros estão propondo ampliar a área plantada (com desmatamento), incentivos fiscais para a produção de álcool e garantia de compra da produção excedente (pela Petrobrás), isto é, com recursos do Tesouro, os usineiros querem continuar no negócio, mas sem correr qualquer risco, como no Brasil Colônia e mesmo depois de implantada a Rep´bulcia. A outra medida anunciada pelo governo, redução do IPI para carros flex com menor consumo de etanol, levará alguns anos para surtir efeito, pois os motores terão de ser redesenhados para melhorar o seu desempenho.
Até lá, a saída é deixar o carro em casa e andar de bicileta, já que a gasolina ultrapassou esta semana a barreira dos R$ 3.


