Em entrevista exclusiva concedida ao Capital, o presidente da Câmara de Duque de Caxias, Eduardo Moreira fez duras críticas ao atraso das obras de duplicação da antiga Avenida Presidente Kennedy, atual Governador Leonel Brizola: “Essa obra parece ser a nossa Transamazônica. Infelizmente, não sabemos quanto já foi gasto e muito menos quando será concluída". O parlamentar apontou a falta de gestão como o principal problema da obra. “Ela iniciou no dia 5 de agosto de 2005, com um convênio assinado pelo prefeito da época, Sr. Washington Reis, e a governadora Rosinha Garotinho. É uma obra importante, que corta 12 bairros. Ela significa melhorias, benefícios para a comunidade que a utiliza diariamente, se beneficiando de melhor locomoção, melhor mobilidade urbana, com sinalização adequada e segurança também para o pedestre. Mas não é isso que está acontecendo". Eduardo Moreira anunciou que vai encaminhar ofício pedindo esclarecimentos sobre a obra à Prefeitura e à Secretaria de Obras do Estado.
- Nós somos fiscalizadores, temos que saber ao certo quanto e como foi aplicado o recurso oriundo do município de Duque de Caxias, levantar se esse dinheiro foi empregado de maneira correta, de maneira lícita. Primeiramente isso é o que a Câmara pode fazer de fato. Podemos fazer um movimento político, com a força de nossos mandatos parlamentares, brigando pela população que sofre por falta de segurança, de saúde digna, de educação, e de mobilidade urbana, entre outras necessidades. Temos por obrigação buscar soluções para esse problema. Esta obra tem que ser finalizada porque ela não pode mais uma vez virar discurso político - disparou. “A obra da Kennedy parece que é feita de qualquer maneira, parece de improviso, sem projeto, e se você olhar a obra do Arco Metropolitano, é outra coisa".
Eduardo Moreira lembra que na época, foram anunciados investimentos de R$ 22 milhões pelos cofres da prefeitura e mais R$ 54 milhões do governo do estado. “E nós ficamos sabendo através da imprensa, que por um convênio anunciado pelo ministro das cidades, Márcio Fontes, na verdade, através do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, foram colocados mais R$ 15 milhões nessa obra, num montante de R$ 91 milhões. E foi informado também que dois ou três anos depois, no máximo, ela seria inaugurada. Estamos em 2014, já se passaram nove anos, e ela continua se arrastando. A agente repara que é uma obra totalmente irresponsável, sem planejamento algum, uma obra que diversas vezes ficou interditada, ficou parada, uma obra que a empresa abandona o contrato e depois retorna. Sou usuário daquela rodovia e a gente vê que é uma obra que não tem retorno, passagem para pedestre, não tem sinalização nenhuma, nem abrigos nos pontos de ônibus. A gente vê os governos passando, agora temos o governador deixando o cargo e vamos iniciar os nove meses de governo do Pezão, e até hoje a obra da presidente Kennedy não tem uma definição de quando será concluída", lamentou, lembrando que algumas pessoas “perderam a vida pela falta de segurança e de sinalização, e de vários amigos e vizinhos que já sofreram acidentes ali".
Indagado sobre as responsabilidades dos poderes públicos com relação à obra, respondeu: “Precisamos saber qual é de verdade a competência e responsabilidade da prefeitura nessa obra, quanto foi gasto até hoje dos cofres públicos municipais nessa obra e qual ingerência que a administração pública municipal tem nessa obra. Não é possível que a obra começou sem ser orçada, a empresa pegou a obra que não sabia quando iria iniciar e quanto seria o gasto, para hoje ela [a empresa] abandonar dizendo que não tem condições de tocar essa obra. E ninguém faz nada, o governo do estado não move uma palha. Eu reconheço a vontade do prefeito Alexandre Cardoso, porque quando iniciou seu mandato a obra estava muito mais atrasada e ele vem se empenhando, se dedicando e a gente vê que no ano de 2013 houve uma evoluída. Mas o povo está cansado, não aguenta mais. Essa obra tem que ser uma página virada. Por isso temos que colocar esse assunto em pauta, por saber do sofrimento dos moradores, trazer a discussão para a câmara de Duque de Caxias. Estamos em ano de eleição, os governantes que passaram por aqui virão novamente pedir votos e na verdade nós não aguentamos mais. Eu não posso deixar o povo que usa aquela rodovia ser enganado mais uma vez".
- Tenho certeza que o prefeito Alexandre Cardoso irá fornecer esses dados, assim como o secretário de Obras do Estado. Mas se não formos atendidos, iremos buscar os mecanismos legais - concluiu.


