O ministro da Fazenda, Guido Mantega, cobrou maior poder para os países emergentes no Fundo Monetário Internacional (FMI). Em declaração divulgada no último dia 10, ele criticou a demora na reforma que aumentará as cotas de países em desenvolvimento no órgão e ampliará a capacidade de empréstimo do fundo. O texto destacou a demora do Congresso norte-americano em ratificar a reforma do FMI, decidida em 2010. A aprovação pelos parlamentares norte-americanos é essencial porque qualquer mudança no estatuto do fundo precisa ser aprovada por 85% dos votos. Somente os Estados Unidos detêm 17% das cotas.
No comunicado, o ministro da Fazenda cobrou a definição de medidas alternativas para ampliar o poder dos países emergentes caso o Congresso norte-americano não ratifique a reforma até o fim do ano. A declaração lembrou que o compromisso de encontrar novas opções para aumentar a participação das nações emergentes havia sido assinado em abril, na última reunião do FMI. “Confiamos completamente nas declarações da diretora-gerente [do FMI, Christine Lagarde] e esperamos que estes estudos já estejam sendo feitos", ressaltou.
O texto foi apresentado no dia 11 na reunião do Comitê Monetário Financeiro Internacional (IMFC), responsável pelas diretrizes políticas do FMI. O discurso expressa a opinião não apenas do Brasil, mas de outros dez países representados pela cadeira brasileira no fundo: Cabo Verde, Equador, Guiana, Haiti, Nicarágua, Panamá, República Dominicana, Suriname, Timor Leste e Trinidad e Tobago. A declaração criticou ainda o FMI pelas mudanças nas projeções econômicas para este ano. O ministro da Fazenda pediu mais cuidado ao fundo na divulgação de estimativas, apontando contradições entre os motivos que levaram o Brasil a ter a previsão de crescimento reduzida de 1,3% para 0,3% neste ano.
Segundo Mantega, alguns estudos do FMI atribuem a desaceleração da economia brasileira a problemas internos. Outros relatórios apresentados nos últimos meses, no entanto, apontam que os fatores internacionais responderam por 60% da diminuição do crescimento em 2014. “Talvez, o FMI precise levar mais cuidadosamente em consideração suas avaliações das economias nacionais antes de publicá-las", destacou. Mantega, que não compareceu à reunião do FMI, foi representado pelo secretário de Relações Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Cozendey. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participou do encontro. (Agência Brasil)


