A retomada do crescimento do setor automotivo no sul do estado do Rio de Janeiro, região que concentra a segunda maior indústria do ramo no país, deverá incluir medidas de estímulo ao consumo e à competitividade, além de investimentos em infraestrutura, disse Wesley Custódio, presidente do cluster automotivo da região, entidade que reúne 17 empresas do setor, entre montadoras e fornecedores como a Nissan, a Peugeot e Hyundai. Ao detalhar impactos da crise financeira no setor, que reduziu em 10% as encomendas entre 2014 e 2015, Custódio lembrou que, nesse período, as empresas tiveram que demitir 3 mil de seus 15 mil trabalhadores. Para tentar segurar os demais postos de trabalho, mais 3 mil funcionários foram colocados de férias antecipadas, tiveram redução de jornada de trabalho ou receberam days off (dias em que o funcionário é dispensado do serviço, mas recebe salário).
Com a impossibilidade de estender tais medidas por muito tempo, o setor quer incentivar a retomada do crescimento por meio do consumo, estimulando a renovação da frota de veículos do governo e de prefeituras, de ônibus urbanos e de táxis, por meio de crédito fácil e barato, além da redução de impostos. “Discutimos a desoneração do IPVA [Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores] porque isso ajuda os grandes frotistas", disse Custódio. Ele participou de reunião do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado do Rio, na Assembleia Legislativa (Alerj).
Na opinião de Custódio, melhorias na infraestrutura rodoferroviária também precisam estar no horizonte dos governos, assim como a redução do preço da energia elétrica, que sofreu pesados reajustes no último ano. “O custo de energia no Brasil é dobro da média do de países industrializados. Se estivéssemos em carga plena, o risco de falta de energia seria grande", alertou. Preocupado em manter a atividade econômica e os empregos no sul fluminense, o governo do Rio manifestou-se disposto a discutir. (Agência Brasil)


