Prefeito Alexandre Cardoso: “Abri mão de um sonho para administrar Caxias neste momento de crise”
- jul 29, 2016
Segundo o prefeito, a candidatura à reeleição não pode ser mais importante do que administrar a cidade
Em entrevista exclusiva ao Capital, o prefeito Alexandre Cardoso (PSD), de Duque de Caxias, afirmou que não será candidato à reeleição. Falou também sobre a corrupção no País, a crise econômica e como vai entregar a cidade a seu sucessor.
REELEIÇÃO
“Existia um sonho de ser candidato à reeleição depois que me elegi. Mas administrar a cidade e ser candidato são incompatíveis. Não posso deixar, neste momento, de administrar Caxias, quando a crise econômica atinge todo o país".
CRISE
“O Estado do Rio está perto da falência. atrasou o pagamento dos salários, deixou de pagar fornecedores, repassou hospitais para a Prefeitura carioca, acabou com programas sociais e recorreu a empréstimo junto ao Governo Federal, reduziu investimentos em infraestrutura. Unidades de saúde foram fechadas, repassando os pacientes para as redes municipais. A culpa não é só do governo, é de todas as circunstâncias econômicas".
“Neste aprofundamento da crise, Duque de Caxias teve perda de receita. No mês de junho foram R$ 15 milhões a menos, no mês de julho outros R$ 15 milhões a menos. Aí é praticamente incompatível administrar a cidade e ir para a rua para ser candidato".
FUTURO
“A crise econômica, para 2017 e 2018, tem dado sinais que pode melhorar, mas evidentemente nós temos que administrar hoje, e essa é minha prioridade. Temos que securitizar a dívida, tem que fazer as cobranças administrativas, para podermos pagar os salários dos servidores, pagar o 13º salário. Enfim, para a gente não deixar Caxias ficar como ficou na gestão passada, que tinha 100 mil toneladas de lixo nas ruas, com 50% dos serviços de emergência parados, com a cidade no maior colapso. A cidade era colapsada, porque no entorno não tinha crise. Hoje é diferente, todo o entorno está em crise e somos praticamente a única cidade da Baixada que está com os pagamentos em dia".
“A gente mostrou que os supersalários, com gente ganhando R$ 70 mil, R$ 60 mil, R$ 50 mil, ajudou a quebrar a Previdência municipal, o IPMDC. Eu acho importante que o próximo prefeito dê uma atenção muito especial a questão da Previdência dos servidores, a questão da transparência e, principalmente, a questão de ter uma cidade cada vez mais ética, coisa construímos nos últimos três anos e meio".
“Vou deixar para o meu sucessor uma Duque de Caxias mais organizada, mais transparente. Mas principalmente, uma Duque de Caxias onde as pessoas saibam o que está acontecendo"
CORRUPÇÃO
“No cenário político nacional, existe uma série de escândalos de corrupção que envolvem vários partidos políticos, que envolvem pessoas. Fico à vontade para falar disso. Quando fiz a minha campanha, dava o meu CPF em praça pública. Eu continuo não respondendo a nenhum inquérito, não respondo a nenhum processo. E a nossa cidade, depois de três anos e meio de gestão, não teve nenhum escândalo. Criamos o Portal da Transparência, que foi nota 10 do Ministério Público Federal. Acho da maior importância que cada cidadão acesse o Portal para saber o que eu comprei, por quanto eu comprei, o salário das pessoas. Eu acho que este portal é um marco na vida de Caxias"
TRANSPARÊNCIA
“A questão do Portal da Transparência é algo inédito. Ali você pode saber que duplicamos o Programa de Saúde da Família (PSF), que entregamos mais de cinco mil casas do Programa Minha Casa, Minha Vida, batemos recorde no número de crianças matriculadas nas escolas. Agora, isso tudo em um momento em que a receita de 2016 é praticamente igual a receita de 2014"
ELEIÇÃO
“Sobre a minha sucessão na Prefeitura, acho que a sociedade tem que avaliar a história das pessoas, principalmente entrar no site da Polícia Federal, da Receita Federal, enfim todos os meios de controle para saber quem é quem em uma eleição. A pessoa tem o livre arbítrio para escolher o seu candidato, e hoje os meios eletrônicos dão estas informações. Acho muito importante em um momento que se fala da importância das mídias sociais, da internet, que a pessoa saiba quem é quem".
“Se a sociedade quer fazer uma reforma política, ela tem que acompanhar a vida de quem ela está votando. Acho importante a questão da transparência, da competência. Porque em um momento que a gente quer melhorar o Brasil, tem que levar em conta fatores como: conhecer as pessoas, saber se ela tem amor por aquilo que ela faz, ver se não é um político profissional que quer passar por cima de tudo, ver se ela gosta das pessoas. E a outra questão, é que não deveria ser predicado a questão da honestidade. Isto deveria ser inerente ao homem público".


