Dezessete dias após ser condenado por unanimidade pela segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a sete anos e dois meses de prisão, Washington Reis (PMDB) tomou posse como prefeito de Duque de Caxias. Enquanto ele assumia, pela segunda vez, o cargo de chefe do Executivo municipal, o Capital foi ouvir a população sobre quais deverão ser as prioridades do novo governo. Cuidar das áreas da Saúde e da Educação, do saneamento básico e abastecimento de água, da segurança e da iluminação pública. Essas têm que ser as ações prioritárias de Washington Reis para Duque de Caxias, de acordo com os moradores entrevistados. Para eles, o município ainda possui muitas carências.
Moradora da Vila Maria Helena, no terceiro distrito, a dona de casa Lourdes Lopes da Silva procurou a UPA 24 horas que funciona ao lado do Hospital Municipal Moacyr Rodrigues do Carmo após cair e machucar um dos braços, mas teve que ir embora sem receber o atendimento que precisava: "Aqui na UPA não tem ortopedista, nem no Moacyr do Carmo. Vou para o Hospital de Saracuruna, para ver se lá tem algum", disse Lourdes, enquanto deixava a unidade médica sentindo fortes dores. "O atendimento na Saúde em Caxias é péssimo, muito precário. Não tem médico, mandam ir de um lugar para o outro e a gente não consegue nada. Vamos ver se melhora agora", completou.
Neto de Lourdes, o estudante Yuri do Rosário de Araújo também criticou a precariedade na saúde: "É muito complicado uma pessoa que se acidentou procurar um hospital longe de casa e, depois, ter que se deslocar para outro lugar porque não encontrou médico". Ele aproveitou para fazer reivindicações: "Na Vila Maria Helena, algumas escolas da rede municipal estão precisando de reforma. O bairro também tem problemas de água e de luz e precisa de mais segurança e de melhorias na área de lazer. Muitas vezes, ficamos esquecidos" se queixou o estudante.
Quem também pediu mais atenção para a segurança pública e medidas para acabar com os problemas de abastecimento de água e de fornecimento de energia elétrica foi o engenheiro Valdecir Henrique de Souza, que reside na Vila Marisa: "O maior problema de Duque de Caxias é a falta de segurança e Washington Reis precisa dar prioridade principalmente a isso. Na Vila Marisa, por exemplo, os assaltos são constantes. Os bandidos levam tudo das pessoas", disse ele, que continuou: "O bairro também não tem água. A Cedae faz o que quer. Até tínhamos água encanada, mas tiraram. Agora, só com poço artesiano. Ainda sofremos com as frequentes faltas de energia. Outro dia, ficamos mais de 15 horas sem luz e a Ampla não apareceu para trocar sequer um fusível." E o morador exigiu: “O novo prefeito tem que nos ajudar nessas questões básicas, prioritárias e fáceis de resolver".
Já o aposentado Rubens Teixeira, que mora no bairro Olavo Bilac, no primeiro distrito, destacou que não podem faltar investimentos em saneamento: "Cuidar da saúde, da segurança e das escolas é fundamental, como também do saneamento básico, para que nossas crianças não fiquem expostas às valas podres e às doenças".
A agente administrativa Manuela Gomes de Araújo, que mora em Santa Cruz da Serra, respondeu: "Moro em Duque de Caxias há 41 anos e considero que duas questões devem ser tratadas com mais prioridade: os serviços na Saúde, onde o município ainda é muito carente e pessoas estão morrendo por falta de atendimento, e a segurança pública. A violência está muito grande, não só em Santa Cruz da Serra, mas em outras regiões da cidade. Se o morador não tiver um celular ou 10 reais para entregar ao assaltante, pode apanhar ou até ser esfaqueado. E as escolas da prefeitura também estão largadas, com falta de aulas e até de merenda. Outro problema são os alagamentos causados pelas chuvas". A funcionária pública ainda mandou um recado para o novo prefeito: "Se Washington Reis tiver que ser preso, paciência. O que peço é que ele não deixe Duque de Caxias à deriva e que mude a situação do município".
O Capital também abordou um anúncio feito por Washington Reis, que pretende municipalizar a prestação dos serviços nos cinco cemitérios que funcionam em Duque de Caxias. "Para mim, existem, sem dúvida, assuntos muito mais urgentes para serem tratados pelo prefeito nesse momento do que os cemitérios. A área da Saúde, por exemplo, é outra que continua apresentando sérios problemas. No Hospital Moacyr do Carmo e em outras unidades da rede pública, sempre me deparo com a situação da falta de médicos. Não ter um ortopedista é mais do que uma vergonha, é um descalabro, é um absurdo, é uma falta de respeito com a população", protestou Valdecir, que estava ao lado da dona Lourdes Lopes da Silva na UPA Parque Beira Mar.


