A rede D’Or decidiu pela demissão de Sergio Côrtes, preso no último dia 11 pela Polícia Federal, na operação Fatura Exposta. Em nota, a empresa se defendeu afirmando que os fatos e eventos citados na investigação dizem respeito ao período anterior à contratação dele. Ex-secretário de Saúde do governo de Sérgio Cabral, Côrtes era vice-presidnete da rede D’Or, uma das mais prestigiadas redes de hospitais do país.
Ainda de acordo com a nota da empresa, a Rede D’Or afirmou que não fez nenhum repasse ao esquema.
No entanto, na busca e apreensão realizada na residência de Luiz Carlos Bezerra, de acordo com a decisão proferida pelo juiz titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, Marcelo Bretas, constam anotações sobre R$ 300 mil pagos por Côrtes (e provenientes da rede D’Or) a Francisco de Assis Neto, o Kiko, homem forte da comunicação do governo Cabral e que atuou anteriormente como Secretário de Comunicação da Prefeitura de Duque de Caxias, na primeira gestão de Washington Reis.
Sérgio Côrtes passou a integrar a diretoria da companhia a partir de junho de 2014, atuando na área médico-assistencial. Em nota, seus advogados Gustavo Teixeira e Rafael Kullmann afirmaram que Côrtes "tem todo interesse em elucidar os fatos".
Corrupção tem direta relação com
calamidade na saúde do Rio, diz juiz
A calamidade em que se encontra o sistema de saúde pública no estado do Rio de Janeiro é reflexo da corrupção orquestrada durante o governo de Sérgio Cabral e revelada pela Operação Fatura Exposta da Polícia Federal. A afirmação é do juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, em sua decisão, no último dia 11, que acarretou a prisão de três suspeitos de fraudes na Saúde do Rio, dentre eles o ex-secretário Sergio Côrtes. De acordo com as investigações do Ministério Público Federal (MPF), os desvios podem chegar a R$ 300 milhões entre 2007 e 2016, pois os contratos firmados no esquema de corrupção permanecem em vigor até hoje.
Na decisão, Bretas diz que é inevitável “conectar o desvio desses valores que poderiam ser empregados para o melhoramento do sistema com a situação de flagelo de milhares de pessoas que morrem nas portas dos hospitais por falta de recursos humanos e materiais. Note-se ainda que, com a corrosão dos orçamentos públicos, depreciados pelo 'custo-corrupção', toda a sociedade vem a ser chamada a cobrir seguidos 'rombos orçamentários'. Aliás, essa é a razão que levou o governador do estado do Rio de Janeiro a decretar recentemente o estado de calamidade pública devido à crise financeira". O juiz acrescenta que essa situação ocorre em outras unidades da Federação e que a própria União revelou que o resultado orçamentário do ano de 2016 foi deficitário em mais de R$ 170 bilhões. (Agência Brasil)


