Propina para Cabral da caixinha dos transportes passou de R$ 120 milhões, segundo o MPF
- jul 03, 2017
O tamanho da corrupção no Estado do Rio no período do ex-governador Sérgio Cabral aumenta a cada dia. A investigação do Ministério Público Federal (MPF) que levou à Operação Ponto Final, deflagrada nesta segunda-feira (3), revela que o ex-governador recebeu R$ 122,85 milhões por meio do operador e braço-direito Carlos Miranda.
No total, foram movimentados cerca de R$ 260 milhões em propina em troca de benefícios às empresas de ônibus, de acordo com a investigação, que tem foco no pagamento por empresários de ônibus a políticos, autoridades e órgãos fiscalizadores dos transportes no Estado. Assim como Cabral, Miranda está preso. A Operação Ponto Final busca cumprir nove mandados de prisão preventiva (sem prazo para terminar) e três de prisão temporária, além de 30 mandados de busca e apreensão expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal. Cerca de 80 policiais federais participam da ação.
- Sempre que havia um reajuste o Sérgio Cabral recebia prêmios da Fetranspor e ele distribuía esses prêmios entre a organização criminosa dele. Importante dizer que esse é um dos esquemas criminosos mais antigos existentes no estado e, ao mesmo tempo, um dos mais maléficos, pois prejudica a população de baixa renda que paga tarifas além do que seriam as tarifas justas e adequadas, em razão do pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos - afirmou o procurador da República Eduardo El Hage, em entrevista coletiva.
Seis de oito mandados de prisão preventiva foram cumpridos nesta segunda-feira. Dois investigados são considerados foragidos, Outros três mandados de prisão temporária também foram cumpridos. Na noite de domingo (2), um mandado de prisão foi antecipado, contra o empresário Jacob Barata Filho. Um dos maiores empresários do ramo de ônibus do Rio, Barata Filho foi preso no Aeroporto Internacional Tom Jobim, ao tentar embarcar para Lisboa, com passagem apenas de ida. Ele já estava na área de embarque quando foi detido. A polícia tem indícios de que o empresário ficou sabendo da operação e tentava fugir. Por isso, a ação foi antecipada. A defesa nega e diz que Jacob Barata Filho viajava a trabalho e estava com passagem de volta marcada para 12 de julho.
PRISÃO – Até o início da tarde já estavam presos Jacob Barata Filho (empresário do setor de transportes), Rogério Onofre (ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro-Detro, Lélis Teixeira (presidente da Federação das Empresas de Transporte do RJ-Fetranspor), José Carlos Reis Lavoura (conselheiro da Fetranspor), Marcelo Traça Gonçalves (presidente do sindicato de ônibus), João Augusto Morais Monteiro (sócio de Jacob Barata e presidente do conselho da Rio Ônibus), Octacílio de Almeida Monteiro (vice-presidente da Rio Ônibus),Cláudio Sá Garcia de Freitas, David Augusto da Câmara Sampaio, Calos Roberto Alves, Enéas da Silva Bueno,
Ainda segundo a investigação, Rogério Onofre teria recebido mais de R$ 44 milhões. Lelis Marcos Teixeira, presidente da Fetranspor, recebeu pouco mais de R$ 1,57 milhão. Lavouras ganhou mais de R$ 40 milhões, e Jacob Barata Filho recebeu R$ 23 milhões. A ação foi baseada nas delações premiadas do ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Jonas Lopes e do doleiro e operador Álvaro Novis. Os agentes fizeram buscas nas cidades do Rio, São Gonçalo e Paraíba do Sul, no estado do Rio de Janeiro, e nos estados do Paraná e Santa Catarina.
Rogério Onofre, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro), foi preso em Florianópolis. Agentes da PF também cumpriram mandados de busca e apreensão na capital de Santa Catarina e no Leblon, na Zona Sul do Rio, em imóveis ligados a ele. Segundo as investigações, pelas mãos de Onofre passaram pelo menos R$ 40 milhões em propina. Ele é advogado, ex-prefeito de Paraíba do Sul – com dois mandatos – e foi indicado em 2007 pelo então governador Sérgio Cabral, também preso na Lava Jato, para a presidência do Detro, órgão que fiscaliza o transporte intermunicipal no Rio.


