
Com data base em 1º de fevereiro, os trabalhadores do segmento construção leve ligados ao SITICOMMM-Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil, Montagem Industrial, Mobiliário, Mármore e Granito e do Vime de Duque de Caxias, São João de Meriti, Nilópolis, Magé e Guapimirim, buscam finalizar os acordos coletivos com algumas empresas. Várias obras estão paralisadas desde o dia 22, quando se iniciou a greve da categoria. Segundo o presidente interino do SITICOMM, Carlos Mendonça, em entrevista ao Capital, cerca de 80 por cento das empresas já assinaram acordos. “Não estamos vendo flexibilização por parte das poucas empresas restantes. Elas estão intransigentes e não querem chegar aos percentuais da grande maioria que assinou os acordos individuais, apesar de duas audiências feitas na Justiça do Trabalho - TRT 1ª Região. “Obra parada é prejuízo", disse Mendonça. Segundo ele, estão de braços cruzados entre 600 e 800 trabalhadores.
De acordo com o sindicalista, a reivindicação básica gira em torno de reajuste entre 11 e 12 por cento, mas as empresas restantes não saem dos 10 por cento. Ele disse acreditar, no entanto, que nos próximos dias as negociações sejam concluídas. “Não há como não negociar, não podem ficar empurrando para depois. Nossa data base é em fevereiro e as conquistas da categoria são retroativas. É o que diz a lei", salientou. O SITICOMMM - um dos mais antigos sindicatos da Baixada Fluminense, fundado em 1952 - tem base territorial em Duque de Caxias, Guapimirim, Magé, Nilópolis e São João de Meriti), envolvendo cerca de 35 mil trabalhadores sindicalizados. “Só na área da Reduc são cerca de 15 mil", segundo Mendonça.
Carlos Mendonça citou, entre as obras que estão paralisadas, o novo Hospital Duque de Caxias, onde atuam cerca de 30 trabalhadores contratados por um consórcio. Já o futuro hospital Caxias D’Or, cuja conclusão está prevista para o final do ano, os serviços já foram retomados.
Sindicato desmente Delta e Reduc
O presidente Carlos Mendonça, que estava acompanhado do diretor de patrimônio Fábio Mendes Araújo e do tesoureiro Lindolfo Carneiro Maciel, ao falar sobre a questão da segurança dos trabalhadores, se queixou de algumas empresas e de autoridades. “O Ministério do Trabalho em Duque de Caxias é de uma ineficácia surpreendente. Infelizmente é a verdade, em termos Legislação de Segurança e Medicina do Trabalho está ruim para os trabalhadores, pois há uma grande quantidade de obras que precisam de intervenções imediatas de Auditores Fiscais da área". O sindicalista lembrou a morte do operário Silvio Justino Alves da Silva de 39 anos, no dia 29 de maio último, por traumatismo craniano e várias fraturas pelo corpo, depois de cair de um andaime de seis metros de altura quando trabalhava nas obras de parada de equipamentos da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), contratado da empresa Delta Construção.
- Ao contrário do que lemos nos órgãos de comunicação, a família do trabalhador continua abandonada, sem assistência alguma, seja por parte da Delta ou da Reduc, é o que sabemos através e familiares e colegas, póis a própria Refinaria e a empresa não promovem as devi]das informações a para Entidade de Classe. É tudo mentira. As autoridades do Ministério também não dão solução, parecem não buscar esclarecimentos para esses casos. A falta de segurança é uma de nossas bandeiras de luta permanente. Denunciamos publicamente esse problema dentro dos pátios das empresas, mas os acidentes acabam se repetindo e a Petrobrás segue matando os trabalhadores. No caso do Silvio, temos informações por parte dos trabalhadores de que o andaime não estava adequado para as condições de trabalho. Até quando será assim?", questiona Carlos Mendonça, depois de informar que o departamento jurídico do SITICOMMM está prestando todo o apoio necessária à família para que a situação seja resolvida o mais rápido possível.


