Histórico: Acordo Mercosul–UE entra em vigor e zera tarifas de 80% das exportações brasileiras
- abr 30, 2026
Integração comercial começa a valer nesta sexta-feira (01/05); CNI estima que mais de 5 mil produtos, entre industriais e agrícolas, terão acesso livre ao mercado europeu de imediato.
O cenário das trocas comerciais entre o Brasil e o Velho Continente muda drasticamente a partir desta sexta-feira (01/05). Com a entrada em vigor do aguardado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, o Brasil passa a integrar uma das maiores áreas de livre comércio do planeta. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o impacto inicial é massivo: mais de 80% dos produtos exportados pelo país para o bloco europeu terão suas tarifas de importação zeradas imediatamente.
A medida conecta as empresas brasileiras a um mercado consumidor de mais de 700 milhões de pessoas, reduzindo custos operacionais e elevando a competitividade nacional frente a players globais.
Indústria é a maior beneficiada na fase inicial
A eliminação de barreiras alfandegárias atinge, logo de largada, 2.932 produtos. O perfil desse lote inicial é predominantemente industrial, o que sinaliza um fôlego novo para a manufatura nacional:
- Bens Industriais: Representam 93% (2.714 itens) do total zerado nesta sexta-feira.
- Agronegócio e Alimentos: Setores fundamentais que também garantiram isenções para centenas de categorias.
Com o tratado, o Brasil salta de um alcance comercial limitado — onde acordos vigentes representavam apenas 9% das importações mundiais — para um patamar superior a 37% do mercado global, conforme apontam os dados da CNI.
Setores estratégicos com redução imediata:
Setor | Impacto no lote inicial (%) |
Máquinas e equipamentos | 21,8% |
Alimentos | 12,5% |
Metalurgia | 9,1% |
Materiais elétricos | 8,9% |
Produtos químicos | 8,1% |
No segmento de máquinas, por exemplo, quase 96% das exportações destinadas à Europa (como compressores e bombas industriais) passam a entrar sem qualquer taxa de importação.
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Implementação gradual e regras claras
Embora o choque inicial seja positivo, o acordo prevê uma transição suave para setores considerados sensíveis. O cronograma de desoneração total segue prazos distintos:
- União Europeia: Redução total em até 10 anos.
- Mercosul: Prazo de até 15 anos para alguns itens.
- Tecnologias de Ponta: Em casos específicos, a transição pode chegar a 30 anos.
Além da questão tarifária, o tratado estabelece normas rígidas e previsíveis para compras governamentais e padrões técnicos, o que deve atrair mais investimentos estrangeiros para o Brasil ao oferecer segurança jurídica aos investidores europeus.
Próximos passos
O Governo Federal trabalha agora na regulamentação da distribuição das cotas de exportação entre os parceiros do Mercosul. Paralelamente, entidades empresariais dos dois blocos preparam a criação de um comitê de acompanhamento para auxiliar pequenos e médios exportadores a navegarem pelas novas oportunidades burocráticas e comerciais. (com informações da Agência Brasil)



