Solenidade aconteceu em cerimônia realizada pelo Governo do Estado que marcou um grande ato em homenagem às vítimas do temporal que assolou Petrópolis
O presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), André Ceciliano (PT), foi um dos homenageados com a Medalha Mérito da Defesa Civil, na noite da terça-feira (15/03), em solenidade realizada pelo Governo do Estado.
A cerimônia marcou também um grande ato em homenagem às 233 vítimas do temporal que assolou Petrópolis, aos bombeiros que atuaram na cidade, e a personalidades da sociedade civil engajadas no movimento de ajuda ao município no dia em que a tragédia completou um mês. A Alerj fez a doação de R$ 30 milhões para ajudar na recuperação da Cidade Imperial.
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A cerimônia, realizada nos jardins Palácio Guanabara, em Laranjeiras, zona sul do Rio, reuniu mais de 1 mil pessoas e foi aberta com uma missa celebrada pelo bispo diocesano de Petrópolis, Dom Gregório Paixão. O evento teve a participação do governador Cláudio Castro e do secretário de Estado de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), Coronel Leandro Sampaio Monteiro, entre outras autoridades estaduais e de vários municípios. Ceciliano também foi um dos paraninfos a entregar a Medalha do Mérito Avante Bombeiro aos agentes que atuaram no município. Ao todo, 310 pessoas foram homenageadas, entre as quais, 225 bombeiros.
"Infelizmente, esta medalha que recebi é uma homenagem triste. Mas esse momento serve de alerta para ações preventivas que possam evitar que tragédias como essa se repitam", disse o presidente da Alerj, que esteve no município da Região Serrana ainda na noite do temporal, em 15 de fevereiro, acompanhando o governador e outros representantes do Governo do Estado logo no início dos trabalhos de socorro às vítimas. “No dia seguinte (16/02), fui para a Alerj, onde realizamos reunião do Colégio de Líderes para acordar e votar as medidas de apoio, como o repasse de R$ 30 milhões ao município, em caráter emergencial. Já na quinta-feira (17/02), a Lei 9.562/22 estava sancionada e pudemos transferir logo o dinheiro do Fundo Especial da Alerj para a Prefeitura de Petrópolis", relembrou.
O governador Claudio Castro expressou seu sentimento de pesar pelas mortes e destacou o apoio do Governo do Estado às famílias e sobreviventes. "Ao lembrar da tragédia, cada vida perdida será uma cicatriz na nossa alma. Mas ver cada cidadão sendo atendido e recebendo a ajuda do Estado mostra a importância desse trabalho. Temos uma responsabilidade e um compromisso: não sair da cidade antes que Petrópolis tenha retornado à sua normalidade. Além disso, seguiremos com os projetos de infraestrutura, ambiente e de habitação", afirmou.
Apesar das condições adversas em meio a alagamentos e deslizamentos no maior desastre natural da cidade desde 1932, um total de 24 pessoas foram resgatadas com vida graças ao trabalho de cerca de 500 bombeiros de quartéis fluminenses e outros 155 de 20 estados que deram apoio à operação em Petrópolis. A operação contou com 60 cães-bombeiros que auxiliaram os grupamentos em busca de vítimas em mais de 100 pontos, e encostas e em mais de 50 km de rios. As buscas ainda continuam a quatro pessoas desaparecidas no Morro da Oficina e em rios: 55 bombeiros militares ainda trabalham em locais soterrados e vistoriando diariamente os rios Palatinato, Quitandinha e Piabanha.
"Cada um de nossos militares foi corajoso, abnegado e encarou o desafio rumo ao compromisso de salvar vidas. Nossa corporação tem um planejamento extremamente técnico. Contamos, ainda, com cerca de 200 militares de outros estados que estiveram conosco. As buscas em Petrópolis seguem acontecendo porque as famílias ainda precisam ser consoladas. Não paramos em nenhum momento", ressaltou o coronel Leandro Monteiro.
Após a missa, foi lida uma nota de pesar do comando-geral do Corpo de Bombeiros, após execução do Hino Soldado do Fogo. O toque de silêncio foi replicado por todos os quartéis do estado ao mesmo tempo, em sinal de condolência às vítimas e seus familiares. Alex Sandro Condé, de 42 anos, que perdeu um filho, o irmão e um amigo de infância na tragédia, foi homenageado em nome de todas as vítimas. Foram ainda entregues bótons com a inscrição "Todos por Petrópolis".



