O primeiro passo para restaurar um patrimônio histórico e religioso da Baixada Fluminense, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, localizada em Duque de Caxias, foi dado na última quinta-feira (9), em uma reunião entre a Prefeitura, a Diocese de Duque de Caxias e São João de Meriti e o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN). No encontro foi apresentada a proposta de recuperação dos quatro altares e representará o primeiro passo na continuidade da obra de recuperação geral do sítio histórico.
Ao falar para os empresários, o prefeito Alexandre Cardoso destacou a importância da reunião na tentativa emergencial de recuperar o patrimônio, através de uma parceria com a iniciativa privada. “A prefeitura tem como contribuir com verba para a obra dos altares laterais, mas existem entraves burocráticos que acabam travando a liberação. Por isso, chamei os empresários com a finalidade de buscarmos com a iniciativa privada os meios necessários à obra. Como não existem grandes entraves burocráticos quando se trata do setor privado, a doação de recursos acaba sendo mais fácil".
A obra que será acompanhada pelo IPHAN e a Diocese está orçada em R$ 480 mil, com duração prevista de um ano. O bispo diocesano dom Tarciso Nascentes lembrou um pouco da história da igreja e do seu tombamento, em 1938, e a necessidade de recuperá-la, por ser um patrimônio tanto do município quanto de toda a Baixada. “Na festa da padroeira, no dia 12 de outubro, recebemos cerca de 10 mil pessoas participar da romaria. Isto prova a importância desta igreja para a população", explicou.
Para o superintendente do IPHAN, Ivo Barreto Júnior, a atuação do prefeito Alexandre Cardoso em reunir empresários na busca de uma solução para a Igreja do Pilar mostra o quanto o patrimônio representa para a cidade. “Pouco são os prefeitos que agem desta maneira. Acho importante ele ter chamado a iniciativa privada para participar do projeto de recuperação dos altares laterais. Temos uma capacidade limitada de recursos e seria necessário um tempo maior para a liberação por parte da União. A partir desta mobilização integrando o município, empresários, união, diocese e o Ministério Público ficará mais fácil a preservação", disse.
LEGISLATIVO - O presidente da Câmara de Duque de Caxias, Eduardo Moreira (PT), participou do importante encontro. Ele aplaudiu a iniciativa. “Como cidadão católico nascido e criado no bairro Pilar, fico muito satisfeito com essa iniciativa conjunta para restaurar esse patrimônio histórico, cultural e religioso da Baixada Fluminense. Estou à disposição, em prol de toda comunidade. Como presidente da Câmara Municipal, cumprirei meu dever de cobrar e fiscalizar todo processo, ajudando no que for necessário", disse o vereador. Ele lembrou a importância da Igreja, erguida em 1720 perto do antigo porto de Pilar do Iguaçu, sendo a sede religiosa de uma das freguesias mais ricas da Baía de Guanabara durante os séculos XVIII e XIX. Destacou ainda suas características semelhantes às igrejas barrocas de Minas Gerais, principalmente quanto a seus altares, que são entalhados em madeiras e folheados a ouro.
O representando do Ministério Público (MP), o procurador da República Eduardo El-Hage disse que uma ação civil pública já tramita há mais de dez anos sobre o estado de conservação da Igreja do Pilar. “O MP Federal está fazendo sua parte, mas o processo pode ser agilizado caso a sociedade civil, com sentimento de pertencimento, se disponha a colaborar voluntariamente na tentativa de salvar esse patrimônio", disse.
Estiveram presentes ainda representantes do Ministério Público Federal (MPF); primeira-dama e secretária de Ações Institucionais e Comunicação, Tatyane Lima, os secretários municipais Luiz Edmundo Costa Leite (Planejamento, Habitação e Urbanismo) e Luiz Felipe Leão (Obras), além de representantes do Instituto Histórico de Duque de Caxias.


