Flávio Bolsonaro admite cobrança de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro, mas nega crime
- mai 15, 2026
Senador e pré-candidato à Presidência classifica repasses para filme sobre Jair Bolsonaro como "patrocínio privado" e pede abertura de CPI do Banco Master
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, admitiu publicamente ter mantido contato com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. De acordo com as informações, o parlamentar articulou junto ao empresário um apoio financeiro no valor de R$ 134 milhões para a produção de um filme cinematográfico sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso foi revelado nesta quarta-feira (13) em reportagem publicada pelo portal The Intercept Brasil. Por meio de nota oficial e de um pronunciamento em vídeo divulgado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de recursos e a relação com o banqueiro, mas defendeu a legalidade das conversas, sustentando tratar-se de uma iniciativa estritamente particular.
"É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme", declarou o senador.
O parlamentar negou categoricamente ter oferecido qualquer contrapartida ou vantagem indevida a Vorcaro em troca dos aportes financeiros. "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ", completou Flávio, que afirmou ainda que as transferências eram respaldadas por um contrato assinado.
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Áudio vazado revela cobranças por parcelas em atraso
Como parte da investigação jornalística, o The Intercept Brasil divulgou o áudio de uma mensagem enviada pelo próprio senador a Daniel Vorcaro. Na gravação, Flávio Bolsonaro ressalta a importância do longa-metragem e manifesta preocupação com o atraso nos repasses combinados para o projeto.
"Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme", diz Flávio na mensagem enviada ao banqueiro.
Com base em mensagens de WhatsApp, documentos e comprovantes bancários vazados, a reportagem identificou que uma parcela significativa do montante milionário foi efetivamente paga entre os meses de fevereiro e maio de 2025.
Prisão de banqueiro e envio de recursos ao exterior
Os registros de conversas mantidas entre o congressista e o empresário se estendem até o início de novembro do ano passado, momento que antecedeu o colapso da instituição financeira. Pouco mais de uma semana após os últimos contatos, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, e a Polícia Federal (PF) prendeu Daniel Vorcaro em uma operação que apura fraudes financeiras. Atualmente, o banqueiro cumpre prisão preventiva na Superintendência da PF em Brasília e negocia um acordo de delação premiada.
A produção do filme sobre o ex-presidente está sob a responsabilidade de uma produtora sediada no exterior, contando com equipe e elenco estrangeiros, com previsão de lançamento para este ano. A estrutura da operação, segundo os documentos publicados, envolveu transferências internacionais emitidas por uma empresa controlada por Vorcaro com destino a um fundo nos Estados Unidos, gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador. (com informações da Agência Brasil)
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