Com impulso de programas governamentais e explosão de eletrificados, emplacamentos em maio registram o melhor resultado para o mês desde 2019; importações da China saltam 86,6%
A indústria automotiva brasileira segue em forte ritmo de aceleração. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou os dados de produção e vendas, revelando que foram fabricados 253,5 mil veículos e emplacados outros 274,7 mil. O desempenho representa uma alta de 15,2% quando comparado com o mesmo mês do ano anterior, consolidando o melhor resultado para um mês de maio desde 2019.
No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o setor já registra 1,1 milhão de unidades produzidas, o que se traduz em uma alta de 7,1% sobre o mesmo período de 2025. O único segmento que não acompanhou a tendência de alta foi o de caminhões e ônibus, para o qual há expectativa de reação nas vendas com os novos subsídios do programa Move Brasil 2.
Carros de entrada e comerciais leves puxam o ritmo das fábricas
A forte demanda interna tem sido o principal motor para o crescimento das montadoras instaladas no país, puxada especialmente pelos modelos mais acessíveis e veículos de carga leve.
"A força desse ritmo produtivo vem da alta nas vendas de automóveis (+21,5%), o que inclui o bom desempenho dos carros de entrada com o programa Carro Sustentável. Comerciais leves, como picapes, vans e furgões, também vêm crescendo (+7,7%), enquanto os caminhões (-15,1%) e os ônibus (-16,3%) ainda estão em queda", indicou a análise do setor.
Apesar do otimismo com os números operacionais, a Anfavea demonstrou preocupação com o cenário macroeconômico global. O aumento dos preços dos combustíveis tem se apresentado como um fator econômico de alerta, pois eleva os custos de produção e acumula na ponta da cadeia, impactando diretamente os consumidores. Essa pressão pode inflacionar o mercado e acabar travando o ritmo da queda de juros por parte do Banco Central (BC).
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Vendas internas batem recordes e eletrificados ganham espaço
O mercado doméstico vive um momento de forte aquecimento. O mês analisado registrou a melhor média diária de vendas desde dezembro de 2014, com o emplacamento diário de 13,7 mil autoveículos (soma de leves e pesados). Os emplacamentos totais somaram 274,7 mil unidades — um salto de 21,7% na comparação anual.
No acumulado, as vendas superaram o marco simbólico de 1 milhão de unidades um mês antes do registrado em 2025, alcançando 1.148,2 mil unidades e um crescimento acumulado de 16,4%.
Os fabricantes apontaram a alta das vendas dos veículos eletrificados (elétricos, híbridos e híbridos plug-in) como uma parcela relevante desse resultado positivo. A participação do segmento passou de 10,6% em junho de 2025 para 19,5% no período atual. O mês registrou o recorde de vendas de elétricos puros, chegando a 21 mil unidades, enquanto a soma dos híbridos vendidos foi de 30,7 mil.
Balança comercial: Exportações desabam na América do Sul e China vira maior fornecedora
Se o mercado interno vai bem, o cenário externo apresenta desafios severos para as montadoras brasileiras. As vendas para o exterior têm tido queda expressiva, afetando principalmente os parceiros comerciais da América do Sul:
- Argentina: Continua como principal destino, mas comprou 89,6 mil unidades (recuo de 33,3%).
- México: Adquiriu 31,6 mil unidades (recuo de 0,5%).
- Colômbia: Comprou 17,7 mil unidades (aumento de 14,5%).
- Chile e Uruguai: Registraram quedas de 19,6% e 34,5%, respectivamente, ambos importando menos de 10 mil veículos cada.
Por outro lado, as importações brasileiras seguem em disparada, redesenhando o mapa de fornecedores. A China assumiu o posto de principal fornecedora de veículos para o mercado nacional, enviando 108,4 mil unidades entre janeiro e maio — uma explosão de 86,6% de alta. Em contrapartida, os modelos vindos da Argentina recuaram 16,8%, totalizando 71,3 mil.
As vendas gerais de importados somaram 55 mil unidades no mês, acumulando 223 mil nos cinco primeiros meses do ano. Trata-se de uma elevação de 17,4%, registrando mais que o dobro do ritmo de crescimento da venda de veículos nacionais. (Com informações da Agência Brasil)
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