O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, elogiou as mudanças nas regras de remuneração da poupança, anunciadas dia 3 pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo Andrade, a medida “corajosa", mas necessária para que a taxa de juros continue a cair. “O que o governo mostrou é um caminho correto para que a taxa de juros no Brasil possa se tornar uma taxa internacional", disse. O critério atual de remuneração da poupança - de 6,17% ao ano mais variação da Taxa Referencial (TR) - vai ser substituído pela variação da TR mais 70% da Selic, quando a taxa básica de juros chegar a 8,5% ao ano ou menos. Atualmente, a Selic está fixada em 9% ao ano.
- O governo teve coragem de tomar essa medida. É uma medida corajosa porque mexer na poupança à primeira vista pode parecer impopular. Mas acho que quem vai sair ganhando é o trabalhador brasileiro, porque vai ter a poupança ainda como um grande ativo, de grande atração para o pequeno poupador - avaliou Andrade após reunião entre a presidenta Dilma Rousseff e grandes empresários, no Palácio do Planalto. Com a medida, o governo quer viabilizar a continuidade da redução dos juros sem que os grandes investidores se sintam estimulados a migrar para a poupança e deixem de comprar títulos públicos. “Se não houvesse essa modificação, todo o capital que hoje é aplicado em investimentos de renda fixa e outros investimentos dos bancos migraria para a poupança e isso faria com que o sistema financeiro não tivesse os recursos necessários para investir nas empresas privadas, na infraestrutura e em outras ações", disse Andrade.
A orientação da presidenta Dilma, segundo o presidente da CNI é que a redução de juros chegue ao ao tomador de crédito e ao consumidor. “Isso foi muito discutido, essa necessidade de reduzir na ponta, inclusive para diminuir também a inadimplência. A presidenta colocou isso de maneira muito firme, de que a redução da Selic tem que chegar na ponta, e também nos investimentos", relatou.
A alteração na remuneração da poupança valerá apenas para os depósitos feitos a partir da edição da medida provisória, que entrou em vigor sexta-feira (4). Assim, quem já tem uma caderneta de poupança terá o saldo corrigido de duas formas: pelo rendimento tradicional, para o dinheiro guardado até hoje, e pela nova regra, para os futuros depósitos.
Dilma diz que mudança protege pequenos poupadores
A presidenta Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira (7) que a mudança para novos depósitos nas cadernetas de poupanças, anunciada pelo governo na semana passada, vai proteger o pequeno poupador, além de permitir que as taxas de juros continuem caindo. A nova regra prevê que, quando a taxa básica de juros for menor ou igual a 8,5% ao ano, os rendimentos da caderneta serão fixados em 70% da taxa Selic. Anteriormente, o critério de remuneração da poupança era 6,17% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR). A Selic está fixada em 9% ao ano.
No programa semanal “Café com a Presidenta", Dilma lembrou que não são cobrados, sobre os rendimentos da caderneta, Imposto de Renda ou taxa de administração e que, por isso, quando os juros caem, a poupança se torna mais atraente. “A caderneta de poupança é um patrimônio dos brasileiros e o governo tem obrigação de protegê-la, de torná-la cada vez mais segura e mais rentável para o pequeno poupador. É isso que estamos fazendo. Não podemos aceitar que agora, quando estamos baixando os juros, ela se torne uma forma de lucro fácil para aqueles que só querem especular".
A presidenta considerou a mudança simples, justa e correta. “O que nós fizemos foi criar uma regra para o futuro, para um futuro com taxas de juros mais baixas, que são o que nós queremos para o Brasil daqui para frente", completou, ao lembrar que a nova regra só vale para novos depósitos. “A poupança continua sendo um investimento excelente, rentável e com a mesma segurança de sempre. Continua e continuará como o melhor tipo de investimento para a maioria dos brasileiros", destacou.
O melhor resultado para abril desde 2007
Os depósitos em caderneta de poupança superaram as retiradas em R$ 1,977 bilhão, em abril, segundo os dados divulgados segunda-feira (7) pelo Banco Central (BC). Esse foi o segundo mês seguido de captação líquida (mais depósitos do que retiradas). Em março, o resultado positivo chegou a R$ 2,544 bilhões. No mesmo mês do ano passado, o resultado havia sido negativo, ou seja, houve mais retiradas do que depósitos, em R$ 1,762 bilhão. Segundo a série histórica do BC, o resultado de abril deste ano é o melhor para o período desde 2007, quando a captação líquida ficou em R$ 2,046 bilhões. No mês passado, os depósitos ficaram em R$ 96,198 bilhões e as retiradas chegaram a R$ 94,22 bilhões. Os rendimentos creditados somaram R$ 2,345 bilhões e o saldo ficou em R$ 433,321 bilhões.
O relatório do BC se baseia em dados do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) - que destina 65% dos recursos para financiamento imobiliário - e da poupança rural. No caso do SBPE, houve captação líquida de R$ 1,542 bilhão, em abril. A poupança rural registrou R$ 435,518 milhões. Atualmente, os valores depositados em poupança são remunerados pela taxa referencial (TR), acrescida de juros de 0,5% ao mês. O dinheiro depositado por menos de um mês não recebe remuneração.


