O Brasil alcançou as metas estipuladas pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para a disputa dos Jogos Pan-americanos de Toronto, no Canadá, ao obter o terceiro lugar no quadro geral de medalhas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá, mas o país ainda apresenta grande dificuldade para ampliar os investimentos públicos na infraestrutura do esporte, na avaliação do coordenador da Secretaria de Extensão da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB), professor Alexandre Luiz Gonçalves Rezende. Para ele, o sucesso do desenvolvimento de uma política nacional de esporte não pode ser medido pelo número de medalhas em megaevento, como o pan-americano ou as olimpíadas, mas sim pelo acompanhamento e implementação de uma infraestrutura que eleve o número de praticantes de esportes no país.
- Carecemos de um investimento na infraestrutura de base e eles não conseguem se traduzir em resultados em um ou dois ciclos olímpicos - diz Rezende. Segundo ele, o investimento na construção de quadras esportivas, locais para prática de atividade física de modo geral e preparação de profissionais qualificados poderia não trazer resultados esportivos para o país no curto prazo, mas sim para duas ou três olimpíadas depois dos jogos de 2016, no Rio de Janeiro, e depois de forma permanente. “A garantia de acesso ao esporte, qualificação de recursos humanos e desenvolvimento científico e tecnológico. É isso que estamos querendo aproveitar com essa janela de oportunidade do megaevento [no ano que vem] para que o desenvolvimento do desporto aconteça de forma organizada", argumenta o professor da UnB.
Nos jogos Pan-americanos de Toronto, encerrados domingo (26), o Brasil ficou na terceira colocação no quadro geral, com 141 medalhas (41 de ouro, 40 de prata e 60 de bronze), atrás dos Estados Unidos (265) e dos anfitriões canadenses (217). Apesar de ter igualado o total de pódios conquistados em Guadalajara, em 2011, o país teve menos medalhas de ouro em Toronto. Mas para o Brasil se tornar efetivamente uma potência no mundo esportivo, segundo Rezende, o país precisa aliar a política de incentivo a prática esportiva desde a infância, com investimentos nos atletas de alto rendimento, feita atualmente. “Se tínhamos uma expectativa de que em função da realização das Olimpíadas no Brasil teríamos uma política que permitisse o investimento maior e a potencialização da participação do Brasil nesses megaeventos, o resultado do Pan nos mostra que isso não aconteceu de forma efetiva. Mas isso não quer dizer que tivemos uma má participação", ponderou o professor da UnB. (Agência Brasil)


