Lucro da Caixa desaba 34% no primeiro trimestre após novas regras do Banco Central
- mai 16, 2026
Resultado de R$ 3,5 bilhões foi pressionado pelo forte aumento nas provisões contra calotes; carteira de crédito imobiliário segue em alta e atinge R$ 966 bilhões
A Caixa Econômica Federal registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa uma queda de 34,4% em relação ao mesmo período do ano passado. O balanço oficial, divulgado nesta quinta-feira (14), aponta que o desempenho do banco estatal foi fortemente impactado pelo aumento das provisões para perdas com crédito, que mais do que dobraram no período.
O movimento responde diretamente às novas regras regulatórias do Banco Central (BC) para a cobertura de risco de inadimplência. De acordo com a Caixa, as provisões agora consideram as perdas esperadas nas operações de crédito, e não apenas as perdas efetivamente registradas. Essa mudança normativa elevou as reservas financeiras da instituição para possíveis calotes, exercendo forte pressão sobre o resultado trimestral.
Apesar do recuo no lucro anual, o banco destacou um crescimento de 25,4% na comparação com o trimestre encerrado em dezembro de 2026. Além disso, a Caixa manteve a expansão de sua carteira de crédito, puxada principalmente pelo financiamento imobiliário, segmento no qual o banco mantém a liderança isolada no país.
Em nota oficial, a Caixa afirmou que o aumento das provisões decorre da transição regulatória determinada pelo BC e que "os números não devem ser interpretados como deterioração direta da qualidade da carteira de crédito".
Raio-x financeiro: os principais números da caixa
O balanço do primeiro trimestre reflete o esforço de provisionamento e o comportamento das taxas de atraso:
- Lucro líquido recorrente: R$ 3,5 bilhões (-34,4% em 12 meses e +25,4% em relação a dezembro)
- Provisão para perdas: R$ 6,5 bilhões (+225% em 12 meses)
- Índice de inadimplência: 3,71% (+1,22 ponto percentual em 12 meses)
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Financiamento imobiliário lidera expansão da carteira
A carteira total de crédito da Caixa atingiu o montante de R$ 1,41 trilhão, registrando uma alta de 11,3% em 12 meses e de 2,3% na comparação com dezembro. O grande motor desse crescimento continua sendo o crédito habitacional.
O segmento imobiliário alcançou R$ 966,2 bilhões, o que representa uma expansão de 13,9% em 12 meses. Com esse desempenho, a Caixa detém uma participação de 68% em todo o setor imobiliário nacional. Apenas no primeiro trimestre, as contratações voltadas à habitação somaram R$ 64,2 bilhões.
Desempenho por segmento de crédito
O banco também registrou avanço em outras frentes de negócios, divididas entre pessoas físicas, empresas e o setor produtivo:
Pessoa Física (PF) - A carteira voltada para a pessoa física encerrou o trimestre em R$ 154,9 bilhões, avançando 10,4% em 12 meses. O crédito consignado segue como o principal destaque do segmento, somando R$ 114,2 bilhões e representando 73,7% de todo o peso da carteira PF.
Pessoa Jurídica (PJ) e Agronegócio - O financiamento para empresas (PJ) fechou o período em R$ 114,3 bilhões, o que significa um crescimento de 8,8% em 12 meses. Já o saldo da carteira de Agronegócio chegou a R$ 64,9 bilhões, mostrando uma evolução mais moderada, de 2,2% em 12 meses.
Margem financeira, receitas e estrutura de capital
Do lado operacional, as receitas da Caixa apresentaram evolução positiva. A margem financeira cresceu 11,8% em 12 meses, atingindo R$ 18,3 bilhões. As receitas com prestação de serviços acompanharam a tendência de alta e somaram R$ 7,4 bilhões (alta de 12,5%). Por outro lado, as despesas operacionais avançaram 6%, totalizando R$ 11,5 bilhões.
Na estrutura financeira global, as captações totais do banco cruzaram a marca de R$ 2 bilhões [VALIDAR EDITOR: unidade correta provável é R$ 2 trilhões, conforme dados de ativos abaixo, manter rigor com o original ou retificar após checagem], registrando alta de 13,7%. O patrimônio líquido institucional fechou em R$ 153,2 bilhões (+8,5%) e os ativos totais da Caixa avançaram 12,9%, somando R$ 2,4 trilhões. (com informações da Agência Brasil)
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